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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Pesquisa revela má qualidade da dieta dos bebês brasileiros

Pesquisa revela má qualidade da dieta dos bebês brasileiros

PATRÍCIA CERQUEIRAcolaboração para a Folha de S.Paulo
Uma das grandes certezas da vida é a de que os pais desejam dar aos filhos tudo do bom e do melhor. Poderiam, então, começar pelo básico: oferecer comida de boa qualidade quando os herdeiros ainda são bebês, algo que não ocorre de acordo com um estudo inédito da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria).

O documento, que será publicado no "Jornal de Pediatria", mostra que a família brasileira está oferecendo alimentos cheios de gordura, açúcar, sal, corante e outros aditivos alimentares para bebês com quatro meses de idade.
Participaram do estudo 179 crianças, entre quatro e 12 meses, de famílias das classes A, B e C de São Paulo, Curitiba e Recife. O objetivo era saber o que elas comiam durante sete dias. As mães foram orientadas a anotar tudo em uma planilha.
No meio da papelada, apareceram lasanha pré-pronta congelada, macarrão instantâneo, refrigerante, salgadinho tipo batata chips, chocolate, suco artificial e muita bolacha recheada. Os bebês também bebem muito leite de vaca.
Nenhum dos alimentos citados acima deve entrar na alimentação dos bebês de até um ano de idade por terem baixo valor nutricional (engordam, mas não nutrem), serem ricos em gordura (inclusive trans), açúcar e sal. No caso do leite de vaca, por ser inadequado.
Maus hábitos
Outra constatação do estudo: os maus hábitos alimentares são generalizados. "Bebês dos três extratos socioeconômicos das cidades pesquisadas comem muito mal", diz Roseli Sarni, presidente do Departamento Científico de Nutrologia da SBP e uma das autoras.
"A alimentação da criança é reflexo da alimentação da família. Se a família tem hábitos não saudáveis, como o alto consumo de sódio (do macarrão instantâneo), de carboidratos simples (balas, doces) e de gorduras, a criança também terá."
Sarni suspeita que os pais careçam de informações sobre alimentação saudável, tanto para o bebê quanto para a família. "A falta de educação alimentar e nutricional aliada às práticas de marketing faz com que os pais se percam na hora da escolha alimentar."
A pediatra defende a adoção de políticas de educação nutricional e uma rigorosa legislaçãosobre a produção de alimentos para a mudança do panorama.
Self-service
Além de falta de educação alimentar, de ler e não entender os rótulos, Sarni suspeita que outro fator contribui para a má qualidade da comida infantil: os pais não sabem cozinhar. Fernanda Oening, 30, é adepta assumida do self-service.
"Nem sei como será quando a Clara começar nas papinhas, pois não tenho a menor intimidade com fogão e panelas", diz ela, que busca informações em sites ou com a mãe para não oferecer comida cheia de gorduras, sal ou açúcar à filha de cinco meses e meio.
Em breve, Clara entrará no mundo das papas de carne e legumes e é nessa etapa que moram todas as dúvidas de Fernanda. "Será que poderei usar sal, carne? Quantos legumes eu terei de colocar?", questiona.
Especialistas entrevistados pela Folha responderam a essas questões. E também às dúvidas sobre as mudanças que vêm sendo recomendadas desde 2008 pela SBP sobre as primeiras papinhas infantis, como a liberação do peixe e do ovo já aos seis meses de vida.
O peixe e o ovo só entravam no cardápio infantil entre oito e dez meses, pois contêm proteínas alergênicas. "Analisando trabalhos científicos, verificamos que não haveria limitação na introdução desses alimentos na dieta das crianças a partir dessa idade", explica Sarni.
Para Mauro Toporovski, pediatra da Santa Casa de São Paulo, as mães não precisam restringir a oferta por medo de uma reação alérgica.
Como toda mudança, essa também vem sendo adotada com cautela pelos pediatras. "Eles ainda têm muitas dúvidas sobre se podem, para quem pode e a partir de quando podem indicar", diz Sarni.

Folha on line de 25 de fevereiro de 2010

Atual geração de crianças pode viver menos do que seus pais

Atual geração de crianças pode viver menos do que seus pais

IARA BIDERMANcolaboração para a Folha de S.Paulo
Na abertura da primeira reunião da rede mundial contra as doenças não contagiosas, Margaret Chan, diretora-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), afirmou que a atual geração de crianças pode ser a primeira, em muito tempo, cuja expectativa de vida é menor do que a de seus pais.

De acordo com Chan, das 35 milhões de mortes anuais por doenças não contagiosas, cerca de 40% são mortes prematuras causadas por infarto, diabetes e asma. Ela lembrou que a incidência dessas doenças é cada vez maior em jovens e crianças -que atualmente desenvolvem hipertensão e diabetes, doenças comumente associadas ao envelhecimento.
"No Brasil, estamos vendo crianças e adolescentes com hipertensão e diabetes tipo 2, algo que não imaginávamos há uma ou duas gerações. Esta geração está desenvolvendo mais fatores de risco, e um dos mais importantes é o aumento de obesidade e sobrepeso em crianças", diz a endocrinologista Claudia Cozer, diretora da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica).
"Temos um problema. Um grande problema que parece destinado a crescer ainda mais. As doenças não contagiosas, por muito tempo consideradas companheiras próximas das sociedades ricas, mudaram de lugar. Doenças cardiovasculares, câncer, diabetes, doenças respiratórias crônicas e distúrbios mentais agora impõem o seu alto ônus aos países de renda média e baixa. Doenças antes associadas com abundância agora estão fortemente concentradas em grupos pobres e desfavorecidos", afirmou Margaret Chan em seu discurso na abertura da reunião.
Segundo Cozer, cerca de 24% das crianças brasileiras estão acima do peso. A diretora-geral da OMS também alertou para o problema, apontando que, no mundo todo, 43 milhões de crianças em idade pré-escolar são obesas ou apresentam sobrepeso. "Pensem no que isso significa no decorrer da vida em termos de riscos para sua saúde e de custos com os cuidados durante toda a vida", disse.
Cozer diz que 80% dos obesos obesidade têm a síndrome metabólica, conjunto de sintomas que levam ao desenvolvimento de diabetes, hipertensão, colesterol alto etc. "Isso aumenta diretamente o risco de infartos, derrames, tromboses e outras doenças cardiovasculares. Além disso, a obesidade está associada ao aumento do risco para alguns tipos de câncer, como o de mama e o de próstata, e de depressão, entre outros problemas."
Com agências internacionais

Folha on line de 25 de fevereiro de 2010

Pesquisa comprova que quem come mais rápido consome mais calorias

Pesquisa comprova que quem come mais rápido consome mais calorias

ANAHAD O'CONNORdo New York Times
As mães sempre pedem aos filhos na mesa de jantar que tenham calma e mastiguem bem a comida. Aparentemente, elas têm um motivo para isso. Pesquisadores descobriram evidências, ao longo dos anos, que quando as pessoas devoram os alimentos acabam consumindo mais calorias do que quando se alimentam num ritmo mais lento. Um motivo é o efeito da ingestão mais rápida sobre hormônios.
SXC
Insulina e hormônios foram medidos antes, durante e depois do sorvete
Num estudo publicado no mês passado, cientistas descobriram que quando um grupo de participantes recebia uma porção idêntica de sorvete em diferentes ocasiões, eles liberavam mais hormônios que davam a sensação de saciedade quando tomavam o sorvete em 30 minutos, em vez de 15. Os cientistas coletaram amostras de sangue e mediram a insulina e os hormônios do trato intestinal antes, durante e depois do sorvete. Eles descobriram que dois hormônios que sinalizam a sensação de saciedade, ou de estar cheio mostraram uma resposta mais pronunciada quando os participantes tomaram o sorvete mais devagar.
A sensação de saciedade leva a comer menos, como sugeriu outro estudo publicado no "The Journal of the American Dietetic Association" em 2008. Nesse estudo, os participantes relataram maior saciedade e consumiram aproximadamente 10% menos calorias quando comeram devagar, em comparação a quando simplesmente engoliram os alimentos. Em outro estudo, com 3 mil participantes, publicado no The British Medical Journal, as pessoas que informaram comer rapidamente e comer até se sentirem cheias tiveram risco três vezes maior de estarem acima do peso em comparação a outras pessoas.
Em outras palavras, os especialistas afirmam que diminuir o ritmo e saborear mais os alimentos é bom e não dói. Comer mais devagar pode aumentar a sensação de saciedade, reduzindo a ingestão de calorias.

Folha on line de 25 de fevereiro de 2010

Para psicanalista, o maior temor do homem ainda é a ereção

Para psicanalista, o maior temor do homem ainda é a ereção; veja íntegra de bate-papo

da Folha Online

A psicanalista Regina Navarro Lins participou de bate-papo nesta quinta-feira (25) sobre o resultado da pesquisa do Datafolha sobre a sexualidade do brasileiro, que foi publicada no último domingo no caderno especial Sexo, na Folha (só para assinantes).

Participaram do bate-papo 465 internautas. Veja a agenda de bate-papo do UOL .
O texto abaixo reproduz exatamente a maneira como os participantes digitaram suas perguntas e respostas.
*
Bem-vindo ao Bate-papo com Convidados do UOL. Converse agora com Regina Navarro Lins sobre pesquisa feita acerca da sexualidade do brasileiro. Para enviar sua pergunta, selecione o nome do convidado no menu de participantes. É o primeiro da lista.
(05:03:14) Regina Navarro: Olá...Boa-tarde! Estou aqui para responder a perguntas sobre relacionamento amoroso e sexual.

(05:03:23) Carol fala para Regina Navarro: Regina, é verdade que não fazemos tanto sexo quando falamos? Ou seja, o brasileiro, na verdade, não possui uma vida sexual ativa como o resto do mundo pensa?

(05:04:01) Regina Navarro: Carol: Acho que, de maneira geral, as pessoas fazem menos sexo do que gostariam, com menos quantidade do que poderiam

(05:04:19) leandro fala para Regina Navarro: olá, regina! qual você acha que é a maior preocupação dos brasileiros na hora de ir pra cama hoje? Dos brasileiros e das brasileiras.

(05:06:11) Regina Navarro: Leandro: dos homens, a maior preocupação é não falhar a ereção. A maioria ainda está presa ao mito da masculinidade. Mas as coisas estão mudando. A mulher foi educada para sempre corresponder às exigências masculinas. Essa é a grande preocupação dela. POr isso muitas fingem o orgasmo. Mas é uma questão de tempo. Acho que caminhamos para um momento em que o sexo será melhor para homens e mulheres.

(05:06:54) helena fala para Regina Navarro: ola, como está? As fantasias sexuais de certo modo sao saudaveis num relacionamento, mas isso pode se tornar uma "doenca" se essas fantasias forem exageradas?

(05:08:16) Regina Navarro: Helena: o problema das fantasias sexuais é quando o parceiro (a) não se sente à vontade. Quando vc fala em fantasias exageradas, o que significa? Acho que se os dois estão curtindo as fantasias, não existe exagero. Desde que não machuque ninguém, claro.

(05:08:39) Cabeludo fala para Regina Navarro: Olá, Regina. Alguns psicanalistas falam que a normalidade do Brasil não é o neurotico e sim o perverso... O que isso resulta na cama?

(05:10:45) Regina Navarro: Cabeludo: não sei o que querem dizer com isso. Esses critérios dependem de época e lugar. Acredito que no sexo tudo é permitido, desde que os envolvidos estejam de acordo. Não existe regra, certo ou errado. Como eu disse na pergunta a cima: desde que não se machuque ninguém. Não se pode fazer nada no sexo só para agradar o parceiro (a). Isso acaba se tornando um preço muito alto para a relação. Quem se sacrificou, ou seja, fez algo que não desejava, vai se sentir sempre credor do outro.

(05:10:51) lelê fala para Regina Navarro: O brasileiro ainda é muito convencional no sexo? Tenho a impressão que sim. Convencional, e geralmente, machista.

(05:13:15) Regina Navarro: Lelê: Nós estamos em pleno processo de transformação das mentalidades. Vamos encontrar pessoas convencionais e outras que já se liberaram dos preconceitos. Pela HIstória, o sexo sempre foi um grande problema. Desde que o cristianismo, há dois mil anos, o sexo foi visto como algo sujo e feio. Temos que refletir sobre isso e tentar nos livrarmos da culpa e da ideia de que existe algo pecaminoso no sexo. Sexo é muito bom, faz bem pra saúde física e mental. Além de fazer parte da vida. Deve ser encarado como algo natural.

(05:13:24) julian fala para Regina Navarro: por que muitos homens ainda se preocupam com o tamanho do próprio pênis? Isso é um problema brasileiro ou mundial?

(05:15:39) Regina Navarro: JUlian: Esse é um problema maior nas sociedades machistas. Há cinco mil anos vivemos num sistema patriarcal, que criou um ideal masculino. O homem não pode falhar em nada. Muitos homens ficam presos a isso e sofrem com o tamanho do pênis, imaginando que se ele não for grande eles são menos homens. Isso é um absurdo. Os homens têm que se livrar disso para poder trocar com a parceira, na hora do sexo, de uma forma livre, se entregando às sensações.

(05:15:44) Gilberto fala para Regina Navarro: Boa Tarde Regina. Acredito que a saúde psíquica de um homem/mulher está diretamente ligada a um sexo de boa qualidade e gratificante. Qual é, na sua opinião, o fator mais importante que nos impede, em muitas situações e relacionamentos, de obter isso?

(05:18:14) Regina Navarro: Gilberto: O sexo sempre foi muito reprimido. Os homens, geralmente, vão tensos para o sexo, preocupados com o desempenho, tentando provar que são machos. As mulheres foram criadas para mostrar que não gostam muito de sexo, para o homem não as considerar "galinhas". Aí ocorre um desencontro. Mas aos poucos as pessoas estão começando a se livrar desses valores ultrapassados que só servem para aprisioná-las. Quanto mais uma pessoa for livre para o sexo, mais ela vai poder trocar com o parceiro (a) e usufruir de todo o prazer que o sexo pode proporcionar.

(05:18:25) Natan fala para Regina Navarro: Regina qual a idade que os adolescentes de hoje tem começado suas atividades sexuais? Sabe alguma estatistica?

(05:19:59) Regina Navarro: Natan: as pesquisas indicam que os jovens iniciam a vida sexual por volta dos 16 anos. O importante é que esse início seja de uma forma tranquila. Todos devem usar camisinha. Muitas das disfunções sexuais são provocadas por tabus e preconceitos quanto ao sexo.

(05:20:19) @RBruno_302 fala para Regina Navarro: E normal que a sociedade caminhe para uma vida bixexual?

(05:21:04) Regina Navarro: Acredito que sim. Daqui a algumas décadas, não podemos precisar exatamente, é possível que a bissexualidade predomine.

(05:21:17) Carol fala para Regina Navarro: Regina, qual sua opinião sobre o sadomasoquismo / dominação-submissão? A psicanalise considera como uma doença/problema? O que seria então?

(05:22:39) Regina Navarro: Acho que existem níveis. O sadomasoquismo de consenso é natural. Muitos casais se paertam, numa brincadeiras sexual. Mas aí existe um códiog, podem parar a quaquer mom,ento. O problema é quando causa dor

(05:22:45) Isa fala para Regina Navarro: o q a psincalise diz sobre a tara masculina por sexo anal?

(05:25:20) Regina Navarro: Acho que tudo o que for consenso e não ferir ninguém é válido. O sexo anal, como qualquer outra prática, só pode existir se os dois desejarem. Há mulheres que aceitam o sexo anal só para agradar o parceiro. Em muitos casos, o preço é alto para a relação. Muitos homens gostam de sexo anal, pq é mais apertado e proporciona sensações diferentes no pênis.

(05:25:36) maria fala para Regina Navarro: como as pessoas reagem qquando falamos de relacionamento aberto e liberal no brasil?

(05:27:56) Regina Navarro: Estamos no meio de um processo de grandes transformações das mentalidades. Então encontramos pessoas bem liberais e outras ainda preconceituosas, presas a antigos valores, que já estão ultrapassados. Muitos dizem que a sociedade não está ainda preparada para maiores liberdades. Mas na década de 1960, se vc dissesse que dentro de algumas décadas seria normal a moça não casar virgem, diriam a mesma coisa. Então é uma questão de tempo para todos aceitarem novas formas de pensar e viver

(05:28:10) Amanda fala para Regina Navarro: Boa tarde Regina. O que vc acha da venda indiscriminada de remédios que prometem ereção prolongada e líbido?

(05:30:08) Regina Navarro: Acho que muitos homens que não necessitam desses remédios tomam pela insegurança. Vc encontra jovens tomando Viagra para encontrar uma mulher, sem a menor necessidade. Mas isso tende a se modificar. Quando os homens se libertarem do mito das masculinidade, nao vaõ ficar tão inseguros.

(05:30:26) Chico fala para Regina Navarro: Li uma entrevista interessantissima com o Mauricio de Souza falando sobre a homosexualidade na mídia, sobre fazer um personagem homosexual para os quadrinhos da turma da monica jovem. Como a senhora vê o homosexualismo na mídia, como ela aborda esse tema e como afeta na sociedade deste seculo 21 q vivemos?

(05:33:44) Regina Navarro: Acredito que a homossexualidade deveria ser encarada como uma forma natural de sexo tanto quanto a heterossexualidade. Agora, é que os preconceitos começam a diminuir. Hoje, já existe uma censura para os preconceituosos. As pessoas se sentem obrigadas a respeitar as diferentes orientações sexuais. É um caminho longo ainda, mas houve uma grande melhora. A homossexualidade já foi considerada crime, pecado e doença. Muitas pessoas morreram por ser homossexuais. Acho que a mídia, quando põe homossexuais em novelas, no BBB, em propaganda contribui para diminuir os preconceitos

(05:34:02) Rhazeck pergunta para Regina Navarro: O sexo pode ser considerado uma pulsão de morte? em que ocasião?

(05:36:44) Regina Navarro: Acho que o sexo é fonte de vida, é pulsão de vida. Reich, que foi discípulo do Freud, e viveu na primeira metade do século XX, dizia que a repressão da sexualidade é responsável pelas doenças psíquicas. Quanto mais livre o ser humano for no sexo, maior força para viver ele terá.

(05:37:11) mnn fala para Regina Navarro: o numero de homossexuais vem aumentando nos ultimos tempos...na sua opiniao, pq isso vem ocorrendo?

(05:39:36) Regina Navarro: Não acho que o número de homossexuais vem aumentando. Acho que os homo estão saindo do armário. Acredito que o número de bissexuais, sim, vem aumentando e ainda vai aumentar mais. Isso ocorre por conta de uma liberação maior. Neste momento em que vivemos, cada um pode escolher sua forma de viver. Os modelos tradicionais não estão dando mais respostas e isso facilita tudo.

(05:40:00) Ball fala para Regina Navarro: Porque os homens sentem necessidade de terem várias parceiras? Como conciliar esse "instinto" de infidelidade, quando sinceramente se quer que o casamento, como o conhecemos hoje, de certo??

(05:43:38) Regina Navarro: Não acredito que seja a exclusividade sexual que faça um casamento funcionar bem. Todos, homens e mulheres, são afetados por vários estímulos vindos de outras pessoas. Por mais que vc ame seu parceiro (a) e tenha tesão por ele, muitos têm relações extraconjugais simplesmente pq variar é bom. Isso é natural. O problema é as pessoas acreditarem que se o outro transar fora do casamento é pq não ama seu cônjuge. Quando as pessoas se libertarem dessa crença de que exclusividade significa algo importante, vai ser muito mais fácil viver bem. A única pergunta que cada um deveria responder a si próprio é: me sinto amado (a)? Me sinto desejado (a)? Se a resposta for positiva, o que o outro faz quando não está comigo não me diz respeito, não é da minha conta.

(05:43:55) Tiago fala para Regina Navarro: depois do filme o virgem de 40 anos, inspirou uma revista a pesquisar sobre virgindade e vários norte americanos entre 25 a 45 anos assumriram a sua castidade, o que pessoas ligadas a essa área tem a dizer sobre esse assunto? é prejudicial a saúde a abstinência sexual??

(05:46:34) Regina Navarro: Se a gente acredita no que dizem as pesquisas científicas, de que o sexo é fundamental para a saúde física e mental, temos que considerar a abstinência como algo negativo. A questão que a repressão da sexualidade sempre foi tão grande, que muita gente que opta pela abstinência não está fazendo uma escolha livre, e sim uma escolha condicionada pela culpa e pelo medo do sexo. Sexo é natural, faz parte da vida. No plano individual, cada um faz o que quiser com a sua vida, mas se pensarmos em termos de mentalidade, acho essa proposta bastante nociva.

(05:46:46) madura fala para Regina Navarro: Ola´! Leio muito a respeito da abordagem da ralação sexual com a minha filha de sete anos. Na sua opinião, qual a melhor forma de fazê-la?
(05:48:59) Regina Navarro: Acho que o sexo deve ser falado naturalmente com as crianças. Mas os pais devem olhar para dentro de si e refletir qual é a visão que tem do sexo. Não adianta uma mãe se mostrar liberal para a filha e, na verdade, aquilo ser só da boca para fora. Tudo o que a criança perguntar deve ser respondido naturalmente e com verdade. Não adianta tentar escamotear nada, pq a criança percebe e o efeito pode ser pior do que não falar nada.

(05:49:09) Alana pergunta para Regina Navarro: Regina, a juventude atual da importancia demais ao sexo ou importancia de menos?

(05:51:04) Regina Navarro: Todos os humanos dão muita importância ao sexo. Afinal, o orgasmo é o maior prazer físico que um ser humano pode experimentar. O sexo sempre foi tão reprimido que só agora as coisas estão começando a melhorar. Acho que a juventude está dando uma importância muito mais adequada ao sexo do que seus pais ou avós deram.

(05:51:20) Poderosa fala para Regina Navarro: Olá Regina, como vc vê que os padrões de beleza estabelecidos pela midia possam interferir nos habitos sexuais?

(05:53:50) Regina Navarro: Acho que as pessoas deveriam se esforçar para se libertar dos padrões de beleza estereotipados. A interferência ocorre quando uma mulher se sente insegura no sexo pq tem algumas estrias. Ou o homem que gosta de determinada mulher, mas não quer namorá-la pq ela está gordinha e ele tem medo do que os amigos vão dizer. Feliz de quem já se libertou disso e não precisa que seu valor seja dado pelo outro que está ao seu lado. Quanto mais segura é uma pessoa,melhor sexo ela terá.

(05:53:50) max fala para Regina Navarro: A que vc credita, este numeros enormes de DST hoje, será porque a juventudade esta fazendo mais sexo? Ou por simplesmente não haver proteção no ato sexual?

(05:56:02) Regina Navarro: O problema é que as pessoas ainda não entenderam que a camisinha tem que ser usada sempre: nos namoros, nos casamentos...na vida de solteira. As DST sempre existiram, talvez não tenha havido estatísticas. Mas acho que hoje as pessoas fazem mais sexo do que antes sim. Isso começou a mudar depois da pílula anticoncepcional. Antes, havia sempre a ameaça de uma gravidez indesejada.

(05:56:06) Belinha fala para Regina Navarro: Boa tarde! Ainda que a "sexualidade" e os afetos não se dissociem, você não acha que há grandes diferenças entre amor, paixão e tesão? Me parece que as pessoas fazem uma grande confusão entre os registros! Não?

(05:58:43) Regina Navarro: Concordo com vc. Amor e tesão são coisas totalmente distintas. Vc pode amar uma pessoa e não ter tesão por ela. Pode ter um grande tesão por outra e não amá-la. É importante que as pessoas percebam essa distinção. Para os homens isso nunca foi problema. Eles podiam transar com qualquer mulher por quem sentissem desejo e eram atá valorizados por isso. Para as mulheres é que foi complicado. Criaram muitas histórias para fazê-las acreditar que o sexo só tinha graça se houvesse amor. Muitas até hoje acreditam nisso e se frustram.

(05:58:49) Vanessa fala para Regina Navarro: Para o homem ainda é mais difícil dizer para a mulher que não está a fim de transar?

(06:00:45) Regina Navarro: Isso sempre foi difícil para ele. A masculinidade dele ficava ameaçada. Mas hoje, os homens que já se libertaram do mito da masculindade, podem viver com mais satisfação. Se eles não desejam uma mulher, não se sentem obrigados a fazer sexo com ela só para provar que são machos. Aos poucos estamos chegando lá, ou seja, na espontaneidade do comportamento sexual.

(06:00:51) Ch. fala para Regina Navarro: Regina, muitos teóricos do gênero e da sexualidade nos últimos anos reforçam a abordagem de que gênero e sexualidade são construidos histórica e socialmente. Vc acha que essas ideias muito fixas e construidas sobre gênero, sobre o q é ser homem e mulher, hetero ou homo, não são prejudiciais para as nossas relações sociais e afetivas? Devemos questionar e desconstruir essas noções?

(06:04:58) Regina Navarro: Acredito que quase tudo o que somos é resultado de uma construção social. Nossos anseios, nosso comportamento...são muito diferentes em cada época. O amor na Grécia, por exemplo, era totalmente diferente do amor na Idade Média, que era diferente do século XIX e tb de hoje. Essa história de masculino e feminino só serviu para aprisionar ambos os sexos a estereótipos. Não acredito nessa divisão. Todos nós somos passivos e ativos, forte e fracos, medrosos e corajosos. Vai depender das características de personalidade de cada um e tb da época em que se vive. A fronteira entre o masculino e o feminino está se dissolvendo e isso é pré-condição para uma sociedade de parceria. Acredito que homens e mulheres vão viver muito melhor quando esses conceitos sairem de cena

(06:06:10) Regina Navarro: Gostaria de me despedir e agradecer a participação de vcs. As perguntas foram bastante inteligentes e instigantes. Obrigada.

(06:06:10) Moderadora/UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Regina Navarro Lins e de todos os internautas. Até o próximo!

Folha on line de 25 de fevereiro de 2010

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Veja sintomas do AVC, uma das maiores causas de morte no Brasil





Veja sintomas do AVC, uma das maiores causas de morte no Brasil


O AVC (acidente vascular cerebral), popularmente conhecido como derrame, é uma das chamadas doenças cardiovasculares, principal causa de óbito no Brasil.

Segundo o Ministério da Saúde, em 16 anos (1990 a 2006) as doenças cardiovasculares (que incluem também o infarto) apresentaram queda de 20,5%, mas os números ainda preocupam. Em 2006, foram cerca de 300 mil mortes (quase 30% do total do país).

Há dois tipos de AVC: o acidente vascular isquêmico, mais comum (80% dos casos), caracteriza-se pela obstrução de vasos na região cerebral. Já o hemorrágico (20%) apresenta ruptura de vasos e consequente sangramento. Veja os sintomas abaixo.
Entre as principais causas do derrame estão hipertensão (pressão alta), tabagismo, sedentarismo, colesterol alto, estresse, diabetes, obesidade, problemas cardíacos e má alimentação.

Editoria de Arte/Folha Imagem

TIPOS DE DERRAME

ISQUÊMICOO vaso é obstruído por um coágulo que impede a passagem do sangue. É o mais comum. O coágulo pode se formar em qualquer parte do corpo e ser conduzido pela corrente sanguínea até órgãos vitais como o cérebro.
Sintomas- Perda repentina da força muscular- Redução ou perda da visão- Dificuldades para falar- Tontura- Formigamento em um dos lados do corpo- Alterações da memória

HEMORRÁGICOO vaso sanguíneo fica dilatado e se rompe, provocando sangramento no cérebro
SintomasAlém dos sintomas do AVC isquêmico, a vítima também costuma sentir:- Náuseas e vômito- Edema cerebral- Aumento da pressão intracraniana- Dor de cabeça repentina e muito intensa --esse sintoma pode ser consequência do aneurisma cerebral, problema congênito (a vítima nasce com ele) que torna um vaso sanguíneo mais frágil e, se não for detectado e corrigido a tempo, por meio de cirurgia, provoca seu rompimento

Como socorrer

A única providência que um leigo pode tomar é levar a vítima imediatamente a um hospital
Rapidez- Se a vítima de AVC chegar ao médico até três horas após o início dos sintomas, a chance de cura é maior, especialmente se o derrame for isquêmico. Por meio de medicamentos, é possível dissolver o coágulo que obstruiu o vaso sanguíneo e permitir que o sangue volte a circular normalmente- Se o atendimento ocorre mais de três horas após os primeiros sintomas, a possibilidade de cura sem sequelas vai depender da localização e do tamanho da área do cérebro que foi atingida



Folha on line de 23 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Soneca à tarde melhora habilidades mentais, mostra pesquisa

Soneca à tarde melhora habilidades mentais, mostra pesquisa

da France Presse, em San Diego
Dormir uma sesta (a soneca do início da tarde) não apenas renova o cérebro como também melhora as habilidades mentais, afirma um estudo divulgado na conferência anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS), ocorrida no fim de semana em San Diego, Califórnia (EUA).
"O sono tem efeitos reparadores após um prolongado período de vigília, mas também aumenta as capacidades neurocognitivas em comparação com as que existiam antes de dormir", disse Matthew Walker, professor de psicologia da Universidade de Berkeley e coordenador do estudo.
A pesquisa examinou 39 adultos jovens divididos em dois grupos: um deles dormiu a sesta e outro não.
Ao meio-dia, todos os participantes foram submetidos a exercícios mentais destinados principalmente a ativar o hipocampo, uma região do cérebro que ajuda a armazenar informações. Os dois grupos tiveram rendimento similar.
Às 14h, o grupo selecionado para a sesta dormiu por 90 minutos, enquanto os outros permaneceram acordados.
Mais tarde, às 18h, todos os participantes do estudo foram submetidos novamente a uma série de exercícios mentais, nos quais deveriam memorizar informações.
Os que ficaram acordados o dia todo tiveram queda de rendimento na comparação com os exercícios anteriores. Já os participantes que tiraram um cochilo registraram um rendimento consideravelmente melhor e também melhoraram as habilidades.
Os resultados apoiam a hipótese de que o sono é necessário para apagar a memória a curto prazo no cérebro e abrir espaço para novas informações, segundo Walker.

Folha on line de 22 de fevereiro de 2010

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Saiba que exercícios gastam mais calorias

Saiba que exercícios gastam mais calorias

da Folha Online

Tarefas do dia-a-dia, como subir escadas, dançar ou jogar boliche com os amigos, também ajudam a gastar calorias. Mas quem pretende queimar gorduras deve optar pelos exercícios aeróbicos, como natação.

Em média, durante os primeiros 15 minutos de exercício, o organismo consome preferencialmente o glicogênio. Depois desse tempo, em geral, a gordura passa a ser consumida em maior intensidade, como forma de produzir energia. O processo depende, entretanto, da natureza de cada atividade e da tolerância do esportista ao exercício.

Exercícios que trabalham mais a força muscular, como a musculação, também queimam gordura, mas em menor quantidade. Veja os gastos calóricos de várias atividades.

Corrida: 20 calorias por minuto
Correr durante uma hora em uma esteira queima aproximadamente 600 calorias (leve em conta que você não vai correr durante os 60 minutos ininterruptamente, mas vai variar o ritmo). Entretanto, é bom tomar cuidado com esse exercício, que causa fortes impactos nas articulações e altera a frequência cardíaca. Para iniciantes, é melhor ir devagar e começar pela caminhada ou pelo cooper.

Pular corda: 15 calorias por minuto
Pular corda é um bom exercício para a panturrilha (batata da perna), coxas e ombros (acionados para girar a corda). A prática também ajuda a desenvolver a coordenação motora. Como cuidados, é importante sempre se exercitar com calçados adequados e apoiar todo o pé na "aterrissagem" de cada salto, e não apenas a ponta. As repetições de saltos, se mal feitas, podem lesionar as articulações dos pés e dos joelhos.

Vôlei: 15 calorias por minuto
Surgido nos EUA em 1895, o vôlei ganhou o gosto do "país do futebol" com a medalha de ouro do vôlei masculino em 1992, na Olimpíada de Barcelona. A modalidade é boa para desenvolver força, concentração e coordenação motora, mas apresenta um sério risco para as articulações das pernas, se não forem tomados cuidados básicos, como o uso de calçados apropriados para a prática do esporte.

Luta livre: 14,4 calorias por minuto
Quem lembra do programa "Gigantes do Ringue"? A luta livre já teve mais visibilidade no Brasil e serve para ampliar a força e a flexibilidade de seus praticantes. É importante também lembrar que o termo luta livre também é utilizado para designar a luta greco-romana, modalidade olímpica presente nos currículos esportivos das universidades norte-americanas. De qualquer forma, valem os mesmos benefícios da nossa luta livre para a greco-romana norte-americana.
Natação (Borboleta): 14 calorias por minutoA natação, em suas várias modalidades, continua sendo considerado por muitos um dos exercícios mais completos. Desenvolve a flexibilidade, agilidade, musculatura, capacidade aeróbia, entre outros aspectos. Por outro lado, a prática é desaconselhada para quem tem problemas no aparelho auditivo, devido ao contato constante com a água.

Subir escadas: 14 calorias por minuto
Não é bem um esporte, mas é uma prática simples imitada por aparelhos de ginástica. Subir escada pode ser considerado um exercício aeróbio, portanto queima gordura. Se você trabalha ou mora no terceiro ou quarto andar de um prédio (até mais, dependendo da sua resistência) experimente abandonar o elevador e subir de escada. Na pior das hipóteses, você vai garantir coxas e um bumbum mais firmes.

Futebol: 13,3 calorias por minuto
Todo mundo (ou pelo menos todos os homens) já bateu uma bolinha pelo menos uma vez na vida. Esporte nacional por excelência, apesar de ter sido oficialmente "inventado" em terras inglesas, o futebol ajuda a desenvolver força, capacidade respiratória, noção de espaço, agilidade e coordenação motora. Os cuidados devem ser tomados no sentido de evitar torções e lesões por impacto nas articulações, muito exigidas em dribles, chutes e corridas. Por ser um esporte de contato físico mais forte, também pode gerar fraturas.

Judô/Caratê: 13 calorias por minuto
As duas modalidades de luta são ideais para quem quer aumentar força, flexibilidade, coordenação motora e equilíbrio. Além de alguns hematomas, pode propiciar torções em caso de falta de cuidado durante a prática.

Alpinismo: 12 calorias por minuto
Entre os chamados esportes radicais, é o que queima mais calorias. Para praticar alpinismo ou a escalada esportiva (denominação relativamente recente para uma vertente do esporte), o atleta terá de contar com muita força, flexibilidade e resistência.

Natação: 12 calorias por minuto
A natação, em suas várias modalidades, continua sendo considerado por muitos um dos exercícios mais completos. Desenvolve a flexibilidade, agilidade, musculatura, capacidade aeróbia, entre outros aspectos. Por outro lado, a prática é desaconselhada para quem tem problemas no aparelho auditivo, devido ao contato constante com a água.

Andar em subida: 11 calorias por minuto
Caminhar, de uma maneira geral, é pratica natural e praticável por qualquer um. Andar, simplesmente, não agride as articulações, por propiciar pouco impacto com o solo, e é um bom exercício para queimar gorduras e ganhar resistência. Apesar de não ter contra-indicações, quem resolver adotar a caminhada como um exercício frequente não pode esquecer de usar roupas leves e calçados adequados, para tirar o maior proveito possível da prática.

Tênis: 11 calorias por minuto
O tenista Gustavo "Guga" Kuerten popularizou como nunca a prática do tênis no Brasil. Bom para aumentar a flexibilidade, coordenação motora, agilidade e capacidade aeróbia, o esporte traz como contra-indicações problemas com torções, desgaste nas articulações e lesões no punho e cotovelo.

Cooper: 10 calorias por minuto
Fase intermediária entre a corrida e a caminhada, o cooper queima mais gordura que simplesmente andar, mas traz muito mais impacto para as articulações, além de forçar bem mais o coração.

Handebol: 10 calorias por minuto
Desenvolvimento da força, da agilidade, da coordenação motora e aumento da capacidade aeróbia são fatores positivos do handebol. Negativamente, a prática do esporte pode agredir articulações, provocar torções e fraturas (em caso de trombadas e quedas durante o jogo).

Basquete: 9 calorias por minuto
Nascido em terras norte-americanas, em 1891, o basquete ganhou mais visibilidade no Brasil com o surgimento dos grandes astros da NBA (liga profissional do esporte nos EUA), como Michael Jordan. Muito semelhante em benefícios com o vôlei, também traz as mesmas contra-indicações: os saltos podem provocar lesões nas articulações das pernas. Correr em quadra também força bastante a região.

Boxe: 9 calorias por minuto
Na busca do corpo ideal, muitas academias importaram movimentos do boxe (como socos e agachamentos) para outras modalidades. O aeroboxe, por exemplo, funde a queima aeróbia de gordura com os movimentos da luta, para quem não quer exatamente se tornar um boxeador. As aulas de boxe "de verdade", em geral, incluem pular corda, séries de alongamentos, técnicas de movimentação (esquiva) e treinamento dos golpes no pushing-ball _equipamento utilizado para melhorar a coordenação motora e a velocidade.

Andar no plano: 8 calorias por minuto
Caminhar, de uma maneira geral, é pratica natural e praticável por qualquer um. Andar, simplesmente, não agride as articulações, por propiciar pouco impacto com o solo, e é um bom exercício para queimar gorduras e ganhar resistência. Apesar de não ter contra-indicações, quem resolver adotar a caminhada como um exercício frequente não pode esquecer de usar roupas leves e calçados adequados, para tirar o maior proveito possível da prática.

Boliche: 7 calorias por minuto
Jogar boliche não é bem um esporte, mas serve como uma forma divertida de queimar algumas calorias. É bom tomar cuidado com o punho, o cotovelo e o ombro, muito exigidos na hora de lançar a bola na pista, além de usar um calçado adequado para não escorregar e tomar um senhor tombo.

Remar: 7 calorias por minuto
Remar, na água ou em aparelhos de ginástica, trabalha a musculatura dos braços, peito e costas, além de aumentar a capacidade aeróbia. Dependendo de como o exercício é feito, também são trabalhadas as pernas e a região lombar. Para adotar o remo como esporte, é bom prestar sempre atenção na postura (para não ferir as costas) e não forçar demais as articulações dos cotovelos, principalmente.

Dançar: 6 calorias por minuto
A dança não traz contra-indicações, exceto algum tombo ou torção durante a execução de um passo mais extravagante.

folha on line

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Antidepressivo reduz ação de remédio contra câncer

16/02/2010 - 11h51
Antidepressivo reduz ação de remédio contra câncer


FERNANDA BASSETTE

da Folha de S.Paulo
Mulheres que tomam antidepressivos da classe da paroxetina em associação ao tamoxifeno --medicamento indicado para o tratamento contra o câncer de mama-- têm 25% mais risco de sofrer recidiva (volta do tumor) e de morrer da doença. A conclusão é de um estudo da Universidade de Toronto (Canadá), publicado no "British Medical Journal".
A paroxetina é um dos antidepressivos mais populares do mundo. Já o tamoxifeno é uma droga que está em uso há cerca de 30 anos e é amplamente prescrita para mulheres em tratamento de câncer de mama como complemento à cirurgia e à quimioterapia. Hoje, é considerada a terapia padrão.
Os pesquisadores analisaram os registros de saúde de 2.430 pacientes com câncer de mama que tomavam tamoxifeno entre 1993 e 2005. Cerca de 30% dessas mulheres também tomavam antidepressivos durante alguma fase do tratamento, e a paroxetina foi o mais comum.
Durante o período do estudo, 15% das pacientes morreram em consequência da doença. O mesmo risco não foi observado com outras classes disponíveis de antidepressivos.
Mecanismo
Segundo o mastologista Silvio Bromberg, do hospital Albert Einstein, tanto a paroxetina quanto o tamoxifeno utilizam a mesma enzima (citocromo P450, produzida pelo gene CYP2D6) para serem metabolizados pelo organismo e entrarem em sua forma ativa. Assim, os dois medicamentos juntos estariam "competindo" um com o outro --o que reduziria os resultados desejados.
"O tamoxifeno bloqueia a divisão celular [das células mamárias], o que reduz bastante o risco de a doença voltar. Já a paroxetina depende da mesma via do tamoxifeno para ser metabolizada. Assim, ela interfere no mecanismo de ação do medicamento, diminuindo seus resultados", explica. Para Bromberg, os resultados desse estudo reforçam as conclusões de trabalhos anteriores.
"A via de metabolização do tamoxifeno é cada vez mais estudada. Esses resultados podem explicar, por exemplo, por que parte das mulheres não responde a essa medicação. Além disso, como se trata de uma droga muito usada em todo o mundo, esse alerta é muito importante", avalia Bromberg.
A psiquiatra Célia Lídia da Costa, diretora do Departamento de Psiquiatria do Hospital A.C.Camargo, em São Paulo, diz que a descoberta da interação entre os dois medicamentos é relativamente nova.
"Estudos anteriores alertavam que a fluoxetina e a paroxetina tinham um risco potencial de interação com outras drogas, mas normalmente eram restritos ao ambiente de laboratório. Esse é o primeiro grande estudo populacional a comprovar essa relação", diz.
Segundo Costa, apesar de existirem os alertas anteriores, esse estudo comprova que os dois medicamentos continuam sendo administrados em conjunto. "A paroxetina é o medicamento antidepressão mais popular que existe no mundo. No Brasil, a prescrição dele é uma prática generalizada", diz.
"O tamoxifeno é o medicamento mais barato [por ser genérico] e os resultados são muito satisfatórios. É mais fácil a paciente substituir o antidepressivo", afirma o mastologista Waldemir Rezende, do Hospital Santa Catarina.
Mulheres que estejam usando os dois medicamentos não devem interromper o uso por conta própria. "Nenhum medicamento pode ter o uso suspenso imediatamente. O ideal é procurar o psiquiatra para que ele encontre outras classes de drogas disponíveis. Hoje, o antidepressivo mais indicado é a venlafaxina", diz Costa.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Vendidos na web, produtos que prometem cura não têm eficácia

Vendidos na web, produtos que prometem cura não têm eficácia

IARA BIDERMAN

colaboração para a Folha de S.Paulo

Com nomes cifrados (como ZMA ou Transfer Factor Plus), sugestivos (como Libido da Noruega) ou com referências a substâncias que têm tido destaque por suas potenciais propriedades na prevenção de doenças, produtos autodesignados como suplementos nutricionais são ofertas abundantes na internet.

As promessas são tentadoras: aumentar a imunidade, viver mais, sofrer menos, melhorar o desempenho sexual. "Todo mundo procura a pílula mágica da saúde, da beleza, da juventude. Infelizmente, ela não existe", diz Durval Ribas Filho, presidente da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia).

O maior problema, para o cardiologista César Jardim, do HCor (Hospital do Coração), é que esses suplementos se vendem como a solução de variadas condições de saúde. "Alguns podem até ajudar [a cuidar da saúde], mas uma coisa é cuidar, outra é resolver", diz Jardim. Ele acredita que, do modo como são oferecidos (e procurados), esses produtos acabam tomando o lugar do conceito mais importante, que é uma dieta equilibrada.

A Folha selecionou algumas das fórmulas mais procuradas ou "exóticas" oferecidas na internet para descobrir o que são, o que prometem e o que os especialistas dizem a respeito de sua eficácia.

ZMA
É a abreviação, em inglês, para aspartato de monometionina de zinco. Contém zinco, magnésio e vitamina B6. O revendedor do produto (fabricado nos EUA) afirma que tal combinação pode elevar os níveis de testosterona em até 30% e aumentar a força muscular e a libido.
O urologista Jorge Hallak, coordenador da Unidade de Toxicologia Reprodutiva e de Andrologia da USP, conta que uma pesquisa do Instituto Adolfo Lutz mostrou que 2/3 dos suplementos nutricionais americanos voltados para a função erétil contêm derivados de testosterona não revelados na embalagem. Em indivíduos propensos, esses derivados criam um efeito rebote que pode afetar a função reprodutiva, além de causar agitação, insônia e nervosismo.

Quanto à capacidade de o zinco e o magnésio promoverem o aumento da testosterona, o urologista diz que isso só faz sentido para pessoas com deficiência dos minerais.
Libido da Noruega

Concentrado nutricional de proteínas, peptídeos bioativos e ácidos graxos essenciais obtidos de "embriões galiformes", traria os benefícios de estimular os moduladores da fertilidade e da virilidade. Nas mulheres, diminuiria sintomas da menopausa, como perda de libido e de massa óssea.

Para Hallak, dá para desconfiar da eficácia do produto por ele propor estimular tanto a fertilidade quanto a virilidade. "As formas de estimular cada uma dessas funções são totalmente diferentes."

A descrição dos componentes tampouco é convincente: "Esses embriões aparentemente são ovos. Além de não sabermos de nenhuma ação comprovada, ainda há a questão de saber se eles são livres de vírus, se foram manipulados com a devida assepsia", alerta Hallak.
Quanto ao aumento da libido, aparentemente não há nada que o promova, além do nome sugestivo da fórmula que, eventualmente, pode provocar um efeito placebo.

Resveratrol
A substância, encontrada na uva e no vinho, tem sido estudada por suas propriedades antioxidantes. Na internet, há oferta de resveratrol em cápsulas de 20 mg, com a promessa de diminuir em 40% o risco cardiovascular, reduzindo colesterol total, colesterol LDL (o ruim) e triglicérides e relaxando as artérias. Além disso, o fabricante afirma que a substância ativa um gene de longevidade, o que aumentaria a expectativa de vida em nada menos do que 70%.
Segundo Myriam Spinola Najas, presidente do Departamento de Gerontologia da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia) e professora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), o resveratrol tem efeitos antioxidantes já demonstrados na literatura. "Sabemos que está entre as substâncias que podem melhorar a vascularização, prevenindo microinfartos e microacidentes cerebrais. Isso pode, indiretamente, aumentar a expectativa de vida. Mas ativar o gene da longevidade? Se pelo menos esse gene já tivesse sido descoberto!", diz Najas.

Além da promessa sem evidência científica de ativar o gene da longevidade, as outras propriedades do resveratrol também não são suficientes para garantir a eficácia do suplemento. "As descobertas são resultado de estudos em laboratório e com animais. Não há estudo controlado com seres humanos, por isso não há nenhuma recomendação de consumo, não sabemos que dose seria eficaz e se teria outros efeitos não desejados", afirma.

Gomas de colágeno
Trata-se de um confeito de açúcar com 2 g de colágeno hidrolisado, que promete melhorar a textura da pele, suavizar rugas, auxiliar o crescimento e o fortalecimento dos cabelos e das unhas e ajudar a emagrecer.
O colágeno é facilmente produzido pelo organismo a partir de fontes alimentares de proteína. "A não ser que a pessoa tenha uma insuficiência proteica enorme, ela não precisa de fontes suplementares de colágeno", diz o dermatologista Davi de Lacerda, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Segundo ele, o colágeno está de fato associado à sustentação da pele, mas não há base científica para afirmar que a ingestão extra do nutriente aumente a sua produção. "Com o envelhecimento, há uma diminuição da produção de colágeno pelo organismo, mas nenhum estudo mostrou que aumentar o aporte nutricional da substância aumenta o colágeno nos tecidos do corpo", diz

Lacerda.
Ele também afirma que não há nada especialmente emagrecedor no colágeno hidrolisado. Os revendedores do produto dizem que a goma ajuda a emagrecer por gerar a sensação de saciedade, especialmente se for consumida com água. Para Lacerda, o colágeno hidrolisado produz certa saciedade, não maior do que as fibras alimentares, e pode "inchar" no estômago com a água, mas o efeito é pequeno e dura pouco.

Ran-yu
São cápsulas com lecitina de ovo, que, segundo um site, diminui o colesterol ruim, aumenta o bom, controla hipertensão, diabetes, estresse e hemorroidas, melhora a memória, auxilia na impotência sexual e combate a osteoporose.
A lecitina é um aminoácido encontrado em fontes de proteína animal que, segundo o nutrólogo Ribas Filho, tem a sua importância na alimentação, mas não é o aminoácido mais importante do

ovo.
Para o cardiologista César Jardim, vários nutrientes têm um papel benéfico na saúde cardiovascular, mas os efeitos não são exclusivos de um composto isolado, e sim da dieta como um todo.

Em relação ao Ran-yu, ele questiona como uma única substância pode, sozinha e ao mesmo tempo, controlar tantos fatores, como hipertensão, diabetes e excesso de colesterol. "Em inúmeros anos de pesquisa, a medicina ainda não descobriu uma substância que conciliasse o tratamento de tantos distúrbios diferentes", diz Jardim.

Cartilagem de tubarão
Segundo sites na internet, o produto auxilia nos processos de osteoartrite, artrose e degeneração muscular e tem a proporção ideal de cálcio e fósforo para a absorção orgânica.
Há alguns anos, a cartilagem de tubarão virou febre por sua suposta ação anticancerígena. Porém, estudos controlados desmentiram esse efeito -o mais recente foi publicado no segundo semestre deste ano.

A divulgação de efeitos contra o câncer foi proibida, mas os sites continuam a divulgar propriedades benéficas para certas condições reumatológicas.
José Carlos Szajubok, presidente da Sociedade Paulista de Reumatologia, diz que um trabalho da Universidade Federal do Ceará mostrou que o teor das substâncias encontradas na cartilagem do tubarão não tem eficácia terapêutica. "Além de o aporte de nutrientes não ser suficiente, a proporção não é mantida após o processo de digestão", diz o reumatologista.
Segundo a Anvisa, produtos à base de cartilagem de tubarão não podem fazer propaganda de propriedades funcionais.

Transfer Factor Plus
Promete potencializar o sistema imunológico e a energia. Inclui fitoesteróis de soja (gordura encontrada nos vegetais), inositol e betaglutanos de aveia (fibras alimentares), extratos de folhas de oliveira, de Aloe vera e de cogumelos.
Segundo Ribas Filho, o produto mistura substâncias estudadas por seus efeitos no organismo, mas nada que justifique dizer que atue no sistema imunológico ou aumente a energia. Os fitoesteróis, por exemplo, podem diminuir o colesterol, mas os estudos mostram que o efeito só ocorre com doses superiores a 2 g por dia -no site do fabricante, não há indicação da quantidade da substância encontrada no produto.

As fibras alimentares também ajudam no controle do colesterol e do nível glicêmico quando fazem parte de uma dieta saudável. "Uma coisa é ingerir a fibra no grão de soja, outra é usar a substância isolada, que pode não ter o mesmo efeito", diz Ribas Filho. "A fórmula usa nutrientes ou alimentos divulgados por seus potenciais efeitos na saúde, mas nenhum estudo mostra que misturá-los em uma mesma fórmula traga algum benefício", resume.

Noni
É uma fruta (Morinda citrifolia) originária da Polinésia Francesa. É vendida desidratada, em cápsulas ou em forma de suco com as promessas de aumentar a energia, ter ação anti-inflamatória, anti-histamínica e antibacteriana, aliviar dores e, de quebra, melhorar a qualidade do sono, reduzir a pressão arterial, controlar o diabetes, proteger de lesões cardíacas e inibir o crescimento de tumores (só!).

Embora a fruta possa ter substâncias antioxidantes que ajudariam na prevenção de doenças, Szajubok diz que não há nenhuma base para afirmar que ela pode aumentar a imunidade.
Segundo a Anvisa, o produto não pode ser importado, comercializado e usado no Brasil. "A alegação de propriedades terapêuticas não tem respaldo científico. Estudos relatam casos de toxicidade hepática e renal em humanos associados ao consumo de noni."

CoQ10
É uma coenzima presente no organismo e nos alimentos. O suplemento (um concentrado de óleo de peixe) reporia a substância (cuja produção pelo organismo diminui com a idade) e teria efeitos na saúde cardiovascular, no fortalecimento do sistema imune e na prevenção de doenças degenerativas cerebrais, além de oferecer proteção contra efeitos adversos de medicamentos para o colesterol e de desacelerar o processo de envelhecimento.

Coenzimas são substâncias que transportam e ativam as enzimas, que viabilizam a atividade das células. "Se você joga uma sobrecarga dessas substâncias no organismo, pode acelerar todos os processos biológicos. Não sabemos o que pode acontecer com isso, já que não há nenhum estudo controlado mostrando os efeitos orgânicos, os supostos benefícios e os possíveis riscos", diz Najas.

A Folha de S,Paulo

Pesquisa identifica evidência entre câncer e estresse

Pesquisa identifica evidência entre câncer e estresse [an error occurred while processing this

da Efe, em Londres
Pesquisadores chineses e americanos demonstraram cientificamente pela primeira vez que existe uma relação direta entre o câncer e o estresse.
Na pesquisa, publicada na revista "Nature", os cientistas afirmam que as células atingidas pelo estresse podem emitir sinais indutores da geração de tumores que afetam às células sadias vizinhas.
Apesar de ter sido realizado com moscas de frutas, o estudo indica que os mesmos genes e as mesmas sequências biológicas envolvidas neste processo estão presentes nos seres humanos.
Até agora, sabia-se que as inflamações crônicas, causas-chave do estresse, estão associadas ao crescimento dos tumores em doentes de câncer. Alguns especialistas argumentam que as emoções negativas, os hormônios do estresse, as inflamações e o câncer podem estar interrelacionados, embora não exista uma evidência clara.
Também há consenso de que as mutações genéticas causadoras do câncer só afetam individualmente as células. Mas este estudo indica que nem sempre é assim, já que diferentes mutações em células distintas podem colaborar no desenvolvimento dos tumores.
Genes
Os autores do estudo centraram o trabalho na atividade de dois genes mutantes causadoras de cânceres.
Um deles é o RAS, que está relacionado a 30% dos casos da doença, e o outro é um gene supressor dos tumores que, quando se apresenta de maneira defeituosa, propicia o desenvolvimento do câncer.
Nenhum gene RAS mutante e nenhuma versão mutante do gene supressor podem por si só causar um câncer.
Os pesquisadores estudaram as moscas das frutas que levavam as mutações genéticas e descobriram que uma célula que tem só o RAS mutante pode gerar um tumor maligno se envolvida a uma célula próxima com um gene supressor defeituoso.
A conclusão é que o estresse era o fator determinante que unia a as células, gerando proteínas marcadoras, para poder passar de célula para célula.
O professor Tian Xu, da University of Connecticut School of Medicine (EUA), principal responsável pela pesquisa, manifestou que estas "são más notícias", porque "há uma grande variedade de condições que podem desencadear o estresse físico e emocional, assim como as infecções e as inflamações".
Definitivamente, o estudo demonstra que é mais fácil do que se pensava que o câncer se desenvolva no organismo humano, após constatar a maior probabilidade das mutações atingirem várias células distintas do que em uma só.
A boa notícia é que também identifica uma nova via potencial para deter o câncer, se for possível bloquear a origem do sinal de estresse que recebem as células.
"Um melhor entendimento do mecanismo subjacente na geração do câncer sempre oferece novos instrumentos para combater a doença", destacou o professor Wu.

Jornal O Estado de S.Paulo de 14 defevereiro de 2010

De diarreia a insolação, saiba prevenir doenças de verão em crianças

De diarreia a insolação, saiba prevenir doenças de verão em


RACHEL BOTELHO

GABRIELA CUPANI

da Folha de S.Paulo

Verão é sinônimo de férias e muito calor. Mas, sem alguns cuidados, as crianças podem ser vítimas de micro-organismos que ficam à espera de uma oportunidade para atacar e dos efeitos nocivos do sol. Conheça os principais males da estação e veja o que fazer em cada caso. "E, antes de viajar, peça ao pediatra uma lista de medicamentos que podem ser necessários", orienta Isabel Rey Madeira, da Sociedade Brasileira de Pediatria.

CONJUNTIVITE

O que éReação inflamatória na conjuntiva, película que recobre o globo ocular. Existem várias causas, e a mais frequente no verão é a irritação provocada pelo sol ou por contato com cloro presente na água da piscina e com areia. A proximidade de outras crianças também facilita a conjuntivite viral. Se não for tratada, ela pode evoluir para a conjuntivite infecciosaSintomasVermelhidão, coceira e dor na região dos olhosComo prevenirLavar sempre as mãos, usar óculos na piscina ou evitar abrir os olhos debaixo d'água sem proteção, não levar a mão suja de areia até os olhos. Mas os pediatras reconhecem que é difícil seguir essas recomendaçõesOnde pegaNa piscina, na areia e em locais com aglomeraçõesO que fazerProcurar um oftalmologista o quanto antes para descobrir o tipo de conjuntivite e tratá-la adequadamenteO que não fazerÁgua boricada pode irritar o olho e confundir o diagnóstico

DESIDRATAÇÃO

O que éFalta de água no organismo. Pode ocorrer por infecção intestinal, porque os alimentos se deterioram com mais facilidade no calor, ou por causa da insolaçãoSintomasIrritação, sede excessiva, olhos fundos, pele ressecada. Em estágio mais avançado, esses sintomas se agravam e ocorrem sonolência, prostração e afundamento da "moleira" em bebêsComo prevenirNo verão, a criança deve beber mais líquido e os alimentos precisam ser transportados em bolsas térmicas com gelo. Leve uma garrafa de água filtrada aonde for, ofereça à criança alimentos mais leves e que contenham muito líquido, como frutasOnde pegaEm altas temperaturas e como consequência de doençasO que fazerSe tiver vômito e diarreia, oferecer soro reidratante e água. Para fazer o soro caseiro, mistura-se 1 l de água, 2 colheres (sopa) de açúcar e 1 colher (café) de sal. Consulte o pediatra se as evacuações forem muito frequentes ou se estiver vomitando muito. As crianças se desidratam rapidamente e o quadro pode ser graveO que não fazerIsotônicos e refrigerantes não têm a concentração adequada de sódio e glicose para promover a reidratação adequada. Água de coco não substitui a água

BICHO-GEOGRÁFICO

O que éCausado pela penetração na derme da larva de um parasita presente no intestino de cães e gatos. Ela percorre um caminho na pele deixando um rastro, o que deu origem a seu apelidoSintomasCoceira e um traçado saliente e avermelhado na pele. Atinge a planta dos pés e também mãos e braçosComo prevenirEvitar contato com areia principalmente se notar a presença de animaisOnde pegaNa areia, mesmo que as fezes já tenham sido retiradas. É muito raro passar de pessoa para pessoaO que fazerAplicar na pele, fazendo um círculo em torno da lesão, o vermífugo TiabendazolO que não fazerPassar álcool, porque resseca a pele e provoca mais coceira

QUEIMADURA DE SOLO

que é Queimadura causada pelos raios UVSintomasVermelhidão e, nos casos graves, bolhasComo prevenirPassar sempre protetor solar e, nas crianças de pele sensível, usar camiseta. Evitar o sol entre 9h e 16hO que fazerSe for leve, passar bastante hidratante -- sem corantes nem perfume, para evitar alergias. Se necessário, aplicar hidrocortisona de uso tópico por dois ou três dias, no máximo. Se houver bolhas, que indicam queimadura de 2º ou 3º grau, não furá-las nem cobri-las e procurar o médicoO que não fazerNão passar substâncias como manteiga e pó de café porque podem causar infecção. Anti-histamínicos são contraindicados porque elevam o risco de alergia

MICOSEO que é

Lesões causada por fungos, bem definidasSintomasCoceira e lesões de vários tipos. Algumas são manchas esbranquiçadas ou acastanhadas nos braços e dorso. Outras são vermelhas, descamativas e arredondadas, que atingem várias partes do corpoComo prevenirEntrar somente em piscinas de água limpa, não compartilhar toalhas, evitar andar descalço em poças ao redor da piscina, secar bem os pés e não ficar muito tempo com roupas úmidasOnde pegaEm qualquer lugar em que haja calor e umidade, condições que facilitam a proliferação de fungos. Tênis fechados também favorecem o surgimento de micosesO que fazerSe houver poucas lesões, manter o local bem seco e passar antifúngico tópico. Caso contrário, é melhor consultar o pediatraO que não fazerPassar tinta de caneta em volta das lesões não adianta nada, assim como usar talco

DIARREIAO que é

Perda de água pelas fezes, geralmente por infecção intestinal, que pode levar à desidratação. Pode ser causada por bactérias presentes em alimentos ou na água ou, ainda, por vírus.SintomasAumento da frequência e diminuição da consistência das fezes. Nas infecções por vírus, febre alta (39ºC ou 40ºC), vômitos e manchas vermelhas na peleComo prevenirConsumir alimentos de procedência conhecida e ter cuidado no armazenamento e no transporte. Não deixar alimentos fora da geladeira e lavar sempre bem as mãosOnde pegaNo caso de vírus, a contaminação é de pessoa para pessoaO que fazerTomar soro reidratante se houver mais do que seis evacuações por dia e seguir uma dieta leve, espaçada e em pequenas quantidadesO que não fazerRefrigerante e isotônico não são bons. Os gases distendem o estômago, e ambos não repõem os sais minerais que o corpo precisa

BICHO DO PÉO que é

Uma pulga que se aloja na peleSintomasBolha com ponto escuro no meio, normalmente no pé, que coçaComo prevenirUsar calçados em locais onde há criação de animaisOnde pegaEm sítios, principalmenteO que fazerO inseto é retirado com a ajuda de uma agulha esterilizadaO que não fazerDescuidar da assepsia. Procure um profissional especializado pois a retirada incorreta pode trazer infecções

INSOLAÇÃO

O que é

Enfermidade causada por exposição excessiva ao solSintomasSinais de desidratação, olho fundo, pele ressecada, elevação da temperatura corporal, muita sede, prostração, vômitos e até desmaioComo prevenirEvitar exposição solar no horário de pico, tomar muito líquido, refrescar-se no mar ou na piscina e ficar à sombraOnde pegaSob o sol intensoO que fazerSe a criança apresentar alguns dos sintomas citados, deve-se procurar um pronto-socorro, porque o problema pode evoluir e até matar

BROTOEJAO que é

Erupção na pele relacionada ao calor. Forma uma lesão causada pelo contato do suor com a pele, que coça e pode abrir caminho para infecçõesSintomasFormação de bolhas vermelhas principalmente no pescoço e dobrinhas do bebêComo prevenirManter a criança com roupas frescasOnde pegaNo calorO que fazerPode-se passar pasta d'água no local afetado, que age como secativo e acalma a pele

PICADAS DE INSETOS

Sintomas Aparecimento de pápulas vermelhas que coçamComo prevenirUsar repelente tópico e também os de tomada -cuidado com os de spray, que podem ser tóxicos. Feche a janela antes de o sol se pôr ou use telas de proteçãoO que fazerPomadas antialérgicas podem ser usadas em picadas pequenas, mas devem ser indicadas pelo pediatra. Se houver reação mais intensa, tomar antialérgico de uso oral. Se o inseto for desconhecido, o ideal é pegá-lo e procurar socorro médico. Os pais devem ficar atentos a uma possível reação. Se tem histórico de reação alérgica, não deve-se esperar. Se o inseto deixar o ferrão na pele -visto como um ponto preto- é bom ir ao médico para tirarO que não fazerEspremer a picada pode causar inflamação. Não use pomadas sem indicação médica nem aquelas com antibiótico

ALERGIAO que é

Reação exagerada do sistema imunológico a alguma substância estranhaSintomasPlacas avermelhadas e elevadas que coçam, inchaço de lábios e pálpebras, dificuldade para respirarComo prevenirEvitar contato com o agente causador, se já tiver sofrido reação similar antesOnde pegaAs reações a picadas de mosquitos não costumam ser graves, mas há pessoas muito alérgicas a picadas de abelha ou formiga. Podem ser desencadeadas ainda por alimentos como camarão e amendoim e, nos menores, por leite e ovosO que fazerSe tiver os sintomas acima, corra para o médico. Pode indicar choque anafilático, potencialmente fatal. Alérgicos devem carregar uma injeção de adrenalinaO que não fazerEsperar para ver se melhora sozinho

HEPATITE A

O que éInfecção causada por um vírus presente em água ou alimentos contaminados Sintomas

O período de incubação é de 15 a 30 dias. Pode haver náuseas, enjoo, vômitos, fezes moles e claras, icterícia. Algumas pessoas, no entanto, não apresentam sintomasComo prevenirConsumir alimentos de procedência conhecida e não entrar em águas poluídas com coliformes fecais. Há vacina disponível na rede particularOnde pegaÁgua e alimentos contaminados, praias que recebem dejetosO que fazerProcurar um médico. O tratamento inclui repousoO que não fazerNão tome remédios por conta própria

Fontes: NICOLE GIANINI, pediatra do Grupo de Trabalho de Prevenção à Cegueira Infantil da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), MARIA BEATRIZ PUZZI, dermatopediatra e professora-adjunta de dermatologia da Universidade Estadual de Campinas, ISABEL REY MADEIRA, presidente do Departamento de Pediatria Ambulatorial da SBP, MÁRICA MALLOZI, alergista da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e Sandra Campos, pediatra e infectologista da Unifesp.
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