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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Para psicanalista, o maior temor do homem ainda é a ereção

Para psicanalista, o maior temor do homem ainda é a ereção; veja íntegra de bate-papo

da Folha Online

A psicanalista Regina Navarro Lins participou de bate-papo nesta quinta-feira (25) sobre o resultado da pesquisa do Datafolha sobre a sexualidade do brasileiro, que foi publicada no último domingo no caderno especial Sexo, na Folha (só para assinantes).

Participaram do bate-papo 465 internautas. Veja a agenda de bate-papo do UOL .
O texto abaixo reproduz exatamente a maneira como os participantes digitaram suas perguntas e respostas.
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Bem-vindo ao Bate-papo com Convidados do UOL. Converse agora com Regina Navarro Lins sobre pesquisa feita acerca da sexualidade do brasileiro. Para enviar sua pergunta, selecione o nome do convidado no menu de participantes. É o primeiro da lista.
(05:03:14) Regina Navarro: Olá...Boa-tarde! Estou aqui para responder a perguntas sobre relacionamento amoroso e sexual.

(05:03:23) Carol fala para Regina Navarro: Regina, é verdade que não fazemos tanto sexo quando falamos? Ou seja, o brasileiro, na verdade, não possui uma vida sexual ativa como o resto do mundo pensa?

(05:04:01) Regina Navarro: Carol: Acho que, de maneira geral, as pessoas fazem menos sexo do que gostariam, com menos quantidade do que poderiam

(05:04:19) leandro fala para Regina Navarro: olá, regina! qual você acha que é a maior preocupação dos brasileiros na hora de ir pra cama hoje? Dos brasileiros e das brasileiras.

(05:06:11) Regina Navarro: Leandro: dos homens, a maior preocupação é não falhar a ereção. A maioria ainda está presa ao mito da masculinidade. Mas as coisas estão mudando. A mulher foi educada para sempre corresponder às exigências masculinas. Essa é a grande preocupação dela. POr isso muitas fingem o orgasmo. Mas é uma questão de tempo. Acho que caminhamos para um momento em que o sexo será melhor para homens e mulheres.

(05:06:54) helena fala para Regina Navarro: ola, como está? As fantasias sexuais de certo modo sao saudaveis num relacionamento, mas isso pode se tornar uma "doenca" se essas fantasias forem exageradas?

(05:08:16) Regina Navarro: Helena: o problema das fantasias sexuais é quando o parceiro (a) não se sente à vontade. Quando vc fala em fantasias exageradas, o que significa? Acho que se os dois estão curtindo as fantasias, não existe exagero. Desde que não machuque ninguém, claro.

(05:08:39) Cabeludo fala para Regina Navarro: Olá, Regina. Alguns psicanalistas falam que a normalidade do Brasil não é o neurotico e sim o perverso... O que isso resulta na cama?

(05:10:45) Regina Navarro: Cabeludo: não sei o que querem dizer com isso. Esses critérios dependem de época e lugar. Acredito que no sexo tudo é permitido, desde que os envolvidos estejam de acordo. Não existe regra, certo ou errado. Como eu disse na pergunta a cima: desde que não se machuque ninguém. Não se pode fazer nada no sexo só para agradar o parceiro (a). Isso acaba se tornando um preço muito alto para a relação. Quem se sacrificou, ou seja, fez algo que não desejava, vai se sentir sempre credor do outro.

(05:10:51) lelê fala para Regina Navarro: O brasileiro ainda é muito convencional no sexo? Tenho a impressão que sim. Convencional, e geralmente, machista.

(05:13:15) Regina Navarro: Lelê: Nós estamos em pleno processo de transformação das mentalidades. Vamos encontrar pessoas convencionais e outras que já se liberaram dos preconceitos. Pela HIstória, o sexo sempre foi um grande problema. Desde que o cristianismo, há dois mil anos, o sexo foi visto como algo sujo e feio. Temos que refletir sobre isso e tentar nos livrarmos da culpa e da ideia de que existe algo pecaminoso no sexo. Sexo é muito bom, faz bem pra saúde física e mental. Além de fazer parte da vida. Deve ser encarado como algo natural.

(05:13:24) julian fala para Regina Navarro: por que muitos homens ainda se preocupam com o tamanho do próprio pênis? Isso é um problema brasileiro ou mundial?

(05:15:39) Regina Navarro: JUlian: Esse é um problema maior nas sociedades machistas. Há cinco mil anos vivemos num sistema patriarcal, que criou um ideal masculino. O homem não pode falhar em nada. Muitos homens ficam presos a isso e sofrem com o tamanho do pênis, imaginando que se ele não for grande eles são menos homens. Isso é um absurdo. Os homens têm que se livrar disso para poder trocar com a parceira, na hora do sexo, de uma forma livre, se entregando às sensações.

(05:15:44) Gilberto fala para Regina Navarro: Boa Tarde Regina. Acredito que a saúde psíquica de um homem/mulher está diretamente ligada a um sexo de boa qualidade e gratificante. Qual é, na sua opinião, o fator mais importante que nos impede, em muitas situações e relacionamentos, de obter isso?

(05:18:14) Regina Navarro: Gilberto: O sexo sempre foi muito reprimido. Os homens, geralmente, vão tensos para o sexo, preocupados com o desempenho, tentando provar que são machos. As mulheres foram criadas para mostrar que não gostam muito de sexo, para o homem não as considerar "galinhas". Aí ocorre um desencontro. Mas aos poucos as pessoas estão começando a se livrar desses valores ultrapassados que só servem para aprisioná-las. Quanto mais uma pessoa for livre para o sexo, mais ela vai poder trocar com o parceiro (a) e usufruir de todo o prazer que o sexo pode proporcionar.

(05:18:25) Natan fala para Regina Navarro: Regina qual a idade que os adolescentes de hoje tem começado suas atividades sexuais? Sabe alguma estatistica?

(05:19:59) Regina Navarro: Natan: as pesquisas indicam que os jovens iniciam a vida sexual por volta dos 16 anos. O importante é que esse início seja de uma forma tranquila. Todos devem usar camisinha. Muitas das disfunções sexuais são provocadas por tabus e preconceitos quanto ao sexo.

(05:20:19) @RBruno_302 fala para Regina Navarro: E normal que a sociedade caminhe para uma vida bixexual?

(05:21:04) Regina Navarro: Acredito que sim. Daqui a algumas décadas, não podemos precisar exatamente, é possível que a bissexualidade predomine.

(05:21:17) Carol fala para Regina Navarro: Regina, qual sua opinião sobre o sadomasoquismo / dominação-submissão? A psicanalise considera como uma doença/problema? O que seria então?

(05:22:39) Regina Navarro: Acho que existem níveis. O sadomasoquismo de consenso é natural. Muitos casais se paertam, numa brincadeiras sexual. Mas aí existe um códiog, podem parar a quaquer mom,ento. O problema é quando causa dor

(05:22:45) Isa fala para Regina Navarro: o q a psincalise diz sobre a tara masculina por sexo anal?

(05:25:20) Regina Navarro: Acho que tudo o que for consenso e não ferir ninguém é válido. O sexo anal, como qualquer outra prática, só pode existir se os dois desejarem. Há mulheres que aceitam o sexo anal só para agradar o parceiro. Em muitos casos, o preço é alto para a relação. Muitos homens gostam de sexo anal, pq é mais apertado e proporciona sensações diferentes no pênis.

(05:25:36) maria fala para Regina Navarro: como as pessoas reagem qquando falamos de relacionamento aberto e liberal no brasil?

(05:27:56) Regina Navarro: Estamos no meio de um processo de grandes transformações das mentalidades. Então encontramos pessoas bem liberais e outras ainda preconceituosas, presas a antigos valores, que já estão ultrapassados. Muitos dizem que a sociedade não está ainda preparada para maiores liberdades. Mas na década de 1960, se vc dissesse que dentro de algumas décadas seria normal a moça não casar virgem, diriam a mesma coisa. Então é uma questão de tempo para todos aceitarem novas formas de pensar e viver

(05:28:10) Amanda fala para Regina Navarro: Boa tarde Regina. O que vc acha da venda indiscriminada de remédios que prometem ereção prolongada e líbido?

(05:30:08) Regina Navarro: Acho que muitos homens que não necessitam desses remédios tomam pela insegurança. Vc encontra jovens tomando Viagra para encontrar uma mulher, sem a menor necessidade. Mas isso tende a se modificar. Quando os homens se libertarem do mito das masculinidade, nao vaõ ficar tão inseguros.

(05:30:26) Chico fala para Regina Navarro: Li uma entrevista interessantissima com o Mauricio de Souza falando sobre a homosexualidade na mídia, sobre fazer um personagem homosexual para os quadrinhos da turma da monica jovem. Como a senhora vê o homosexualismo na mídia, como ela aborda esse tema e como afeta na sociedade deste seculo 21 q vivemos?

(05:33:44) Regina Navarro: Acredito que a homossexualidade deveria ser encarada como uma forma natural de sexo tanto quanto a heterossexualidade. Agora, é que os preconceitos começam a diminuir. Hoje, já existe uma censura para os preconceituosos. As pessoas se sentem obrigadas a respeitar as diferentes orientações sexuais. É um caminho longo ainda, mas houve uma grande melhora. A homossexualidade já foi considerada crime, pecado e doença. Muitas pessoas morreram por ser homossexuais. Acho que a mídia, quando põe homossexuais em novelas, no BBB, em propaganda contribui para diminuir os preconceitos

(05:34:02) Rhazeck pergunta para Regina Navarro: O sexo pode ser considerado uma pulsão de morte? em que ocasião?

(05:36:44) Regina Navarro: Acho que o sexo é fonte de vida, é pulsão de vida. Reich, que foi discípulo do Freud, e viveu na primeira metade do século XX, dizia que a repressão da sexualidade é responsável pelas doenças psíquicas. Quanto mais livre o ser humano for no sexo, maior força para viver ele terá.

(05:37:11) mnn fala para Regina Navarro: o numero de homossexuais vem aumentando nos ultimos tempos...na sua opiniao, pq isso vem ocorrendo?

(05:39:36) Regina Navarro: Não acho que o número de homossexuais vem aumentando. Acho que os homo estão saindo do armário. Acredito que o número de bissexuais, sim, vem aumentando e ainda vai aumentar mais. Isso ocorre por conta de uma liberação maior. Neste momento em que vivemos, cada um pode escolher sua forma de viver. Os modelos tradicionais não estão dando mais respostas e isso facilita tudo.

(05:40:00) Ball fala para Regina Navarro: Porque os homens sentem necessidade de terem várias parceiras? Como conciliar esse "instinto" de infidelidade, quando sinceramente se quer que o casamento, como o conhecemos hoje, de certo??

(05:43:38) Regina Navarro: Não acredito que seja a exclusividade sexual que faça um casamento funcionar bem. Todos, homens e mulheres, são afetados por vários estímulos vindos de outras pessoas. Por mais que vc ame seu parceiro (a) e tenha tesão por ele, muitos têm relações extraconjugais simplesmente pq variar é bom. Isso é natural. O problema é as pessoas acreditarem que se o outro transar fora do casamento é pq não ama seu cônjuge. Quando as pessoas se libertarem dessa crença de que exclusividade significa algo importante, vai ser muito mais fácil viver bem. A única pergunta que cada um deveria responder a si próprio é: me sinto amado (a)? Me sinto desejado (a)? Se a resposta for positiva, o que o outro faz quando não está comigo não me diz respeito, não é da minha conta.

(05:43:55) Tiago fala para Regina Navarro: depois do filme o virgem de 40 anos, inspirou uma revista a pesquisar sobre virgindade e vários norte americanos entre 25 a 45 anos assumriram a sua castidade, o que pessoas ligadas a essa área tem a dizer sobre esse assunto? é prejudicial a saúde a abstinência sexual??

(05:46:34) Regina Navarro: Se a gente acredita no que dizem as pesquisas científicas, de que o sexo é fundamental para a saúde física e mental, temos que considerar a abstinência como algo negativo. A questão que a repressão da sexualidade sempre foi tão grande, que muita gente que opta pela abstinência não está fazendo uma escolha livre, e sim uma escolha condicionada pela culpa e pelo medo do sexo. Sexo é natural, faz parte da vida. No plano individual, cada um faz o que quiser com a sua vida, mas se pensarmos em termos de mentalidade, acho essa proposta bastante nociva.

(05:46:46) madura fala para Regina Navarro: Ola´! Leio muito a respeito da abordagem da ralação sexual com a minha filha de sete anos. Na sua opinião, qual a melhor forma de fazê-la?
(05:48:59) Regina Navarro: Acho que o sexo deve ser falado naturalmente com as crianças. Mas os pais devem olhar para dentro de si e refletir qual é a visão que tem do sexo. Não adianta uma mãe se mostrar liberal para a filha e, na verdade, aquilo ser só da boca para fora. Tudo o que a criança perguntar deve ser respondido naturalmente e com verdade. Não adianta tentar escamotear nada, pq a criança percebe e o efeito pode ser pior do que não falar nada.

(05:49:09) Alana pergunta para Regina Navarro: Regina, a juventude atual da importancia demais ao sexo ou importancia de menos?

(05:51:04) Regina Navarro: Todos os humanos dão muita importância ao sexo. Afinal, o orgasmo é o maior prazer físico que um ser humano pode experimentar. O sexo sempre foi tão reprimido que só agora as coisas estão começando a melhorar. Acho que a juventude está dando uma importância muito mais adequada ao sexo do que seus pais ou avós deram.

(05:51:20) Poderosa fala para Regina Navarro: Olá Regina, como vc vê que os padrões de beleza estabelecidos pela midia possam interferir nos habitos sexuais?

(05:53:50) Regina Navarro: Acho que as pessoas deveriam se esforçar para se libertar dos padrões de beleza estereotipados. A interferência ocorre quando uma mulher se sente insegura no sexo pq tem algumas estrias. Ou o homem que gosta de determinada mulher, mas não quer namorá-la pq ela está gordinha e ele tem medo do que os amigos vão dizer. Feliz de quem já se libertou disso e não precisa que seu valor seja dado pelo outro que está ao seu lado. Quanto mais segura é uma pessoa,melhor sexo ela terá.

(05:53:50) max fala para Regina Navarro: A que vc credita, este numeros enormes de DST hoje, será porque a juventudade esta fazendo mais sexo? Ou por simplesmente não haver proteção no ato sexual?

(05:56:02) Regina Navarro: O problema é que as pessoas ainda não entenderam que a camisinha tem que ser usada sempre: nos namoros, nos casamentos...na vida de solteira. As DST sempre existiram, talvez não tenha havido estatísticas. Mas acho que hoje as pessoas fazem mais sexo do que antes sim. Isso começou a mudar depois da pílula anticoncepcional. Antes, havia sempre a ameaça de uma gravidez indesejada.

(05:56:06) Belinha fala para Regina Navarro: Boa tarde! Ainda que a "sexualidade" e os afetos não se dissociem, você não acha que há grandes diferenças entre amor, paixão e tesão? Me parece que as pessoas fazem uma grande confusão entre os registros! Não?

(05:58:43) Regina Navarro: Concordo com vc. Amor e tesão são coisas totalmente distintas. Vc pode amar uma pessoa e não ter tesão por ela. Pode ter um grande tesão por outra e não amá-la. É importante que as pessoas percebam essa distinção. Para os homens isso nunca foi problema. Eles podiam transar com qualquer mulher por quem sentissem desejo e eram atá valorizados por isso. Para as mulheres é que foi complicado. Criaram muitas histórias para fazê-las acreditar que o sexo só tinha graça se houvesse amor. Muitas até hoje acreditam nisso e se frustram.

(05:58:49) Vanessa fala para Regina Navarro: Para o homem ainda é mais difícil dizer para a mulher que não está a fim de transar?

(06:00:45) Regina Navarro: Isso sempre foi difícil para ele. A masculinidade dele ficava ameaçada. Mas hoje, os homens que já se libertaram do mito da masculindade, podem viver com mais satisfação. Se eles não desejam uma mulher, não se sentem obrigados a fazer sexo com ela só para provar que são machos. Aos poucos estamos chegando lá, ou seja, na espontaneidade do comportamento sexual.

(06:00:51) Ch. fala para Regina Navarro: Regina, muitos teóricos do gênero e da sexualidade nos últimos anos reforçam a abordagem de que gênero e sexualidade são construidos histórica e socialmente. Vc acha que essas ideias muito fixas e construidas sobre gênero, sobre o q é ser homem e mulher, hetero ou homo, não são prejudiciais para as nossas relações sociais e afetivas? Devemos questionar e desconstruir essas noções?

(06:04:58) Regina Navarro: Acredito que quase tudo o que somos é resultado de uma construção social. Nossos anseios, nosso comportamento...são muito diferentes em cada época. O amor na Grécia, por exemplo, era totalmente diferente do amor na Idade Média, que era diferente do século XIX e tb de hoje. Essa história de masculino e feminino só serviu para aprisionar ambos os sexos a estereótipos. Não acredito nessa divisão. Todos nós somos passivos e ativos, forte e fracos, medrosos e corajosos. Vai depender das características de personalidade de cada um e tb da época em que se vive. A fronteira entre o masculino e o feminino está se dissolvendo e isso é pré-condição para uma sociedade de parceria. Acredito que homens e mulheres vão viver muito melhor quando esses conceitos sairem de cena

(06:06:10) Regina Navarro: Gostaria de me despedir e agradecer a participação de vcs. As perguntas foram bastante inteligentes e instigantes. Obrigada.

(06:06:10) Moderadora/UOL: O Bate-papo UOL agradece a presença de Regina Navarro Lins e de todos os internautas. Até o próximo!

Folha on line de 25 de fevereiro de 2010

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